Minha primeira entrevista com a Rede Moura foi bastante agradável, conduzida por uma profissional que soube criar um ambiente leve, respeitoso e objetivo. Já na segunda etapa, a experiência foi diferente: uma pessoa do RH participou para acompanhar a entrevista, mas acabou atrapalhando o andamento com colocações e expressões desconfortáveis, embora a responsável direta pela vaga tenha se mantido muito educada e gentil. O momento mais delicado ocorreu quando questionei sobre o plano de carreira. A resposta veio da profissional de RH, que afirmou que a empresa possui um formato em que o colaborador precisa buscar o próprio crescimento por meio do protagonismo. Concordo que assumir responsabilidades pelo próprio desenvolvimento é importante, mas a forma como foi colocada, especialmente após enfatizar que eu permaneci quatro anos no mesmo nível, soou como uma transferência de responsabilidade exclusiva para o colaborador. É preciso entender que o crescimento só acontece quando a empresa também oferece condições e oportunidades reais de evolução. Pesquisas recentes reforçam isso: a Deloitte (2023) mostrou que 79% dos jovens talentos priorizam empresas que oferecem planos de carreira estruturados, e a Gallup apontou que 87% dos millennials consideram oportunidades de desenvolvimento profissional um fator decisivo para permanecer em uma empresa. Isso revela que não basta apenas protagonismo individual, é necessário que a organização ofereça mentoria, trilhas de aprendizado, clareza nos cargos e critérios transparentes para promoções. Quando todo o peso é colocado sobre o profissional, corre-se o risco de gerar frustração e desmotivação. Por isso, saio desse processo com gratidão por não ter sido escolhido, pois entendi que a forma como a empresa enxerga o desenvolvimento não está alinhada com meus valores. Para mim, crescimento deve ser resultado de uma parceria equilibrada, em que colaborador e empresa compartilham responsabilidades de maneira clara e justa.