Pros
Atuei na BU de Pessoas, em um contexto relacionado a RHOps/operações de RH, com produtos ligados a rotinas críticas de RH, ponto, jornada, regras de cálculo e integrações. É uma área com desafios técnicos relevantes, impacto direto na operação dos clientes e profissionais muito competentes, principalmente nos times de engenharia. Também considero positivo o nível de exposição a problemas reais de escala, estabilidade, integrações e evolução de produto. Para quem busca desafios técnicos complexos, existe bastante oportunidade de aprendizado, especialmente em produtos que exigem conhecimento de negócio, resiliência operacional e boa capacidade de resolução de problemas.
Cons
Minha experiência na área foi bastante desgastante do ponto de vista de liderança técnica. Ao longo do tempo, percebi perda gradual de autonomia dos Tech Leads, mudanças de estrutura pouco transparentes e uma distância considerável entre o discurso de colaboração e a prática. O papel de Tech Lead, que deveria ser central na evolução técnica, no desenvolvimento do time e na sustentação do contexto do produto, foi sendo enfraquecido por decisões mais centralizadas, sobreposição de papéis e aumento de microgerenciamento. Um dos pontos mais difíceis foi perceber baixa capacidade de liderança para sustentar decisões e lidar com questionamentos técnicos ou organizacionais legítimos. Em alguns momentos, mudanças eram apresentadas como se estivessem abertas a discussão, mas na prática parecia haver uma resposta esperada. Quando eu levantava riscos, impactos ou contrapontos relevantes, esses questionamentos muitas vezes deixavam de ser tratados como contribuição crítica e passavam a ser interpretados como inflexibilidade, resistência ou falta de alinhamento com a liderança. Isso gerava uma dinâmica bastante desgastante: havia espaço aparente para diálogo, mas pouca tolerância real a discordâncias bem fundamentadas. A sensação era de que o papel esperado não era contribuir com análise crítica, mas validar decisões que já estavam direcionadas. Esse tipo de condução enfraquece a confiança, reduz a segurança psicológica e dificulta a atuação de lideranças técnicas que precisam antecipar riscos, proteger o time, qualificar decisões e apoiar a evolução das pessoas. Também ficou evidente uma dificuldade de posicionamento da gestão, tanto em relação às camadas superiores quanto em relação ao próprio time. Em vez de assumir decisões com clareza, contexto e responsabilidade, muitas situações pareciam ser conduzidas de forma ambígua, transferindo para os liderados o peso de concordar com direcionamentos que já vinham definidos. Isso criava ruído, insegurança e uma sensação constante de que questionar pontos importantes poderia ser usado posteriormente como sinal de desalinhamento. No período final da minha experiência, passei por uma transição de Tech Lead para uma atuação como Staff de forma bastante direcionada, sem que isso estivesse alinhado com meu momento de carreira, meus interesses profissionais ou com a trajetória que eu vinha construindo junto ao time. Para mim, essa foi uma das maiores contradições da experiência: a empresa comunica um discurso de que carreira é protagonizada pela pessoa e apoiada pela organização, mas na prática mudanças internas e direcionamentos de estrutura podem se sobrepor à escolha individual e ao histórico de contribuição da pessoa. O ponto mais sensível foi o desgaste psicológico causado por essa dinâmica. A perda gradual de autonomia, o enfraquecimento do papel de liderança próxima ao time, a baixa escuta real, a mudança forçada de trajetória e a falta de clareza na condução criaram um ambiente emocionalmente difícil. Para mim, não foi apenas uma questão de discordar de decisões, foi uma experiência que afetou diretamente minha motivação, minha confiança e minha saúde emocional no trabalho.